Disciplinas universitárias e empresas: uma relação com conflitos de interesse

A colaboração público-privada, tão bem vista em alguns setores económicos, está a tornar-se numa fórmula muito comumtambém no campo universitário. Falamos das “cadeiras” universitárias com nomes de empresas, sendo que só na Catalunha existem cerca de sessenta

Perante estas relações de parceria, vale a pena perguntar se o apoio à universidade nasce de um compromisso comercial, guiado por um senso ético, para adequar a formação e a investigação à realidade e às necessidades do mercado de trabalho. Ou se, por outro lado, se trata de uma manobra interessada, em que as empresas podem condicionar o que é investigado com os recursos financeiros que fornecem; ou, ainda, se obedecea uma estratégia de marketing, porque colocar a marca ao lado de um prestigiado centro de conhecimento gera uma melhor imagem e reputação. Talvez as três motivações coincidam.

Os conflitos de interesse são evidentes no caso de cadeiras como a Cadeira de Inclusão Social da Fundação Endesa, uma vez que a Endesa tem seguido uma estratégia de corte no fornecimento de energia elétrica devido ao não pagamento de contas por famílias carenciadas e é difícil não lhe atribuir uma parte da responsabilidade na geração de pobreza energética. Apesar dos esforços destas e de outras empresas no combate ao impacto indesejável das suas atividades, há que exigir-lhes muito mais do que uma simples cadeira universitária – um novo contrato social.

O objetivo das empresas do século XXI já não pode ser limitado quase exclusivamente ao aumento de lucros para agradar aos acionistas. Com efeito, vozes internacionais como o BRT (Business Roundtable) incentivam a uma redefinição e diversificação do valor que as empresas produzem, e que agora devem também trabalhar pela proteção do meio ambiente, pela diversidade, por seremmais inclusivas e favorecerem a dignidade e o respeito, além de ampliarem os atores sociais a quem devem satisfazer além dos seus acionistas: os próprios funcionários, os clientes, os fornecedores e toda a comunidade.

Neste novo paradigma, não haverá mais espaço para a comunicação de conteúdo vazio ou para tentativas fúteis de compor uma boa imagem e reputação. Cortinas de fumo não funcionam aqui, sendo exigida a comunicação dos factos: “Fazer mais e dizer menos”.

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